9.03.2010

O OVO que eu comi hoje ao almoço!

Fiz como os gatos. Primeiro brinquei com a comida, depois cortei em rodelas, em seguida reguei-o com azeite e vinagre e por fim juntei sal. Coloquei-o na salada e comi-o!!!

7.03.2010

A série das caixas torna patente, entre outros aspectos, uma forma de representação que sugere a precariedade, seja ela simbólica ou formal. A pintura aparece sem desenho, tosca e degenerada. Não pode ser situada no tempo nem no espaço, sofre de uma certa alienação, à qual os próprios modelos parecem pertencer. Objectos que se deixam retratar perdendo assim os seus atributos. Já sem a sua função estes elementos desfazem-se em cores, manchas, sobreposições e em planos que se cruzam num espaço indefinível. A perda da função como perda de identidade e a alienação como um estado de solidão profundo projectam-se em objectos banais e em personagens de um espaço íntimo.

5.10.2010

A Faca - Ary dos Santos

A palavra será faca o sentido será gume a imagem será chama mas a matéria é o lume. Lume dos nervos riscados pelo fósforo do medo lume dos dentes cerrados pela goma de um segredo. Lume das faces de cera lume dos dedos de cal lume golpe lume pedra lume silêncio metal. Lume que se acende a frio e nos devora por dentro lume agulha lume fio da faca do pensamento. Lume navalha que rasga o ventre da solidão vingança de quem se gasta queimando frases em vão. Lume lembrança das coisas que nos arderam na voz cinza viva que nos corta e nos separa de nós.

2.09.2010

"CHAMINÉ DE FÁBRICA"

“Se eu levar em conta as minhas recordações pessoais parece que, na nossa geração, as formas de arquitectura aterrorizantes, desde que as várias coisas do mundo surgem durante a primeira infância, bem menos eram as igrejas, mesmo as mais monstruosas, do que certas chaminés de fábrica grandes, verdadeiros tubos de comunicação entre o céu sinistramente sujo e a lamacenta e mal cheirosa terra dos bairros com fiações e tinturarias. Hoje, quando muito miseráveis estetas procuram colocar a sua clorótica admiração e inventam chatamente a beleza das fábricas, a sujidade lúgubre destes enormes tentáculos surge-nos ainda mais nojenta; os charcos de água, nos terrenos baldios ao seu lado, o fumo negro meio tombado pelo vento, os montes de escórias e sucata, serão de facto os únicos atributos possíveis destes deuses de um Olimpo de esgoto; e eu não estava alucinado quando o meu terror, era eu criança, me fazia vislumbrar nestes meus espantalhos gigantes, que me atraíam até à angústia e às vezes faziam fugir a toda a velocidade, a presença de uma assustadora cólera, cólera que mais tarde, não podia eu duvidar, viria a tornar-se a minha própria cólera, dar um sentido a tudo quanto se ia sujando na minha cabeça e, ao mesmo tempo, a tudo quanto surge em estados civilizados como a carcaça num pesadelo. Não ignoro, sem dúvida, que a maior parte das pessoas vê chaminés de fábrica só encontra nelas o signo do trabalho do género humano e nunca a projecção atroz do pesadelo que se desnvolve obscuramente nesse género humano à maneira de um cancro: com efeito, é evidente que em princípio já ninguém olha para aquilo que lhe surge como revelação de um estado de coisas violento em que nos vemos como atacados. Esta forma infantil ou selvagem de ver substituída por uma maneira sensata que permite tomar uma chaminé de fábrica por uma construção de pedra em forma de tubo, destinada a evacuar fumos a grande altura, quer dizer, por uma abstração. Ora, o único sentido que este dicionário pode ter é, precisamente, mostrar o erro das definições deste género. Há razão para insistirmos, por exemplo, no facto de uma chaminé de fábrica só de um modo muito provisório pertencer a uma ordem totalmente mecânica. Mal se levanta até à primeira nuvem que a cobre, mal o fumo se enrola na sua garganta, já é a pitonisa dos sucessos mais violentos do mundo actual: a título idêntico, é verdade que todos os esgares de lama nos passeios ou no rosto humano, todas as partes de uma agitação imensa que apenas se ordena como um sonho ou o peludo e inexplicável focinho de um cão. Para a situarmos num dicionário é, pois, mais lógico dirigirmo-nos ao rapazinho que ela aterroriza, ao momento em que ele vê nascer de forma concreta a imagem das imensas, das sinistras convulsões em que toda a sua vida irá desenrolar-se, e não a um técnico necessariamente cego.” BATAILLE, Georges (trad. Carlos Valente), “A mutilação sacrificial e a orelha cortada de Van Gogh”, Lisboa, Hiena Editora, 1994, p.p.93-95. Do blog A montanha mágica

2.06.2010

A CASA GRAVADA - LA CASA GRABADA

Vejam aqui a reportagem sobre a exposição A CASA GRAVADA no Cartaz das Artes de 10 de Dezembro de 2009. Tempo de duração: entre os minutos 21.40 e 24.25. CONVITE A Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, o CIEBA, e os Comissários da Exposição Casa Gravada (portugueses e espanhóis), e a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na Inauguração da Exposição La Casa Grabada, às 20 horas do dia 10 de Fevereiro, na Sala de Exposiciones del Carmen de la Victoria, pertencente ao Centro de Cultura Contemporânea da Universidade de Granada. Esta Exposição resulta de um convite formulado pela Faculdade de Belas Artes de Granada aos organizadores do evento em Lisboa na Casa-Museu Anastácio Gonçalves. A exposição estrá patente naquela cidade de 10 de Fevereiro a 04 de Março deste ano.

DINA GOLDSTEIN - Fallen Princesses

Branca de Neve "In this photograph, Snow White’s Prince Charming is more interested in what’s on TV than helping his tired-looking wife with the kids. It was a runner up for the 2009 American Photo’s Images of the Year." By Dina Goldstein DINA GOLDSTEIN "is based in Vancouver, B.C. She has balanced her love of unique portraits with a career in editorial and commercial photography. Her photographs have been featured in many high profile magazines, and she has received numerous awards for her commercial and creative photography." Dina Goldstein, fotógrafa canadiana, ironiza as princesas dos contos de fadas no seu trabalho Fallen Princesses, fazendo o ponto da situação sobre o que seria a vida delas na actualidade. VEJAM AQUI

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