7.03.2010

A série das caixas torna patente, entre outros aspectos, uma forma de representação que sugere a precariedade, seja ela simbólica ou formal. A pintura aparece sem desenho, tosca e degenerada. Não pode ser situada no tempo nem no espaço, sofre de uma certa alienação, à qual os próprios modelos parecem pertencer. Objectos que se deixam retratar perdendo assim os seus atributos. Já sem a sua função estes elementos desfazem-se em cores, manchas, sobreposições e em planos que se cruzam num espaço indefinível. A perda da função como perda de identidade e a alienação como um estado de solidão profundo projectam-se em objectos banais e em personagens de um espaço íntimo.

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